Tens frio? perguntou o menino. A raposa olhou-o, franzino,
os olhos brilhantes, o casaquinho de malha a arrastar. E replicou-lhe, tens
medo?
Não, disse o menino, mas posso acender as estrelas do céu
e também as do mar. Como te chamas? perguntou a raposa. Menino. E tu? Raposa,
respondeu a raposa.
Então o menino trepou para o dorso da raposa, segurou-se
ao seu pescoço e começaram a caminhar. Atravessaram o gelo e os ursos
seguiram-nos. Percorreram as florestas, os pântanos e os desertos e foram com
eles os lobos, os cordeiros, os esquilos, os cavalos, os cães, as garças e os
rouxinóis. Um ou outro pinguim e ao longe as baleias e os golfinhos. Às vezes
paravam a descansar. A raposa sentava-se, uma estrela cintilava junto da sua
orelha direita e o menino pousava a cabeça na sua cauda e adormecia. Os animais
silenciavam-se e suspendiam a marcha, o voo, o mergulho, o salto e o canto.
Não sei quando e onde chegaram, mas nessa noite,
singulares foram aqueles que os encontraram e confiaram no traçado desse
caminho.
Desejo-vos um Feliz Natal!