seriam encarnadas as flores e negro o chão









Na fotografia antiga ela tem um ramo de flores caído no chão. Há uma escada e em cada degrau dois rapazes, três raparigas, cinco rapazes, duas raparigas, até perfazerem vinte e cinco. Vestem um casaco de fazenda pied de poule, que quer dizer pés de galinha. Empurram-se, fazem caretas, riem. Ela sorri apenas e as flores no chão. Eu não estou visível nessa fotografia e só me lembro da velha máquina do meu pai e da gritaria da minha irmã, tu não sabes mexer nisso, para, larga, é minha. E era.
A cores, seriam encarnadas as flores e negro o chão.












21 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Do chão erguem-se as flores
libertas crianças e as cores


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Abril de 2014

Marcos Satoru Kawanami disse...

Manuela,

Senti o ambiente.

;*

Marcos Satoru Kawanami disse...

Os momentos felizes, quando lembrados, às vezes, parecem tristes. Pareceu este para mim.

Rogerio G. V. Pereira disse...

As fotos antigas degradam a cor...
Mas, pela luz do teu texto,
percebo
as flores continuam vermelhas
e o chão, negro

Vitor Chuva disse...

Olá, Manuela!

Retrato de família grande do tempo do preto e branco. E onde a Manuela não ficou por ser boa fotógrafa...na retina da memória lhe ficando o vermelho do ramo de flores caído no chão...

Um abraço.
Vitor

Graça Pires disse...

Uma fotografia é sempre a memória de um tempo que passou. As flores hão-de continuar vermelhas mesmo no chão de terra negra.
Um grande beijo, Amiga.

O Puma disse...

Em Maio

recriar os cravos

Kika disse...

Kriu?

Que bonito o teu dizer... E agora diz-me:

Por vezes, não ficas angustiada, quando estás a escolher as palavras para os teus contos?

Eu, quando te leio fico assim:

No espanto das garras - o verbo

Kriu!

Graça Pereira disse...

Será que já levantaram as flores??
Beijo
Graça

mz disse...

As recordações têm coisas destas. Alegrias e tristezas e também muitos "pés de galinha"

:)

Um abraço, Manuela




Vitor Chuva disse...

Olá, Manuela!

Não resisti a fazer a correcção:Afinal hoje são 25 e as flores não mudaram de cor.Já outro tanto não se podendo dizer de muitas pessoas, que com o tempo foram desbotando...

Abraço
Vitor

Maria Silva disse...

Não deveriam ser só 25 as flores vermelhas, mas 365 multiplicadas por cada português que fosse capaz de faz~e-las erguer do chão, como um troféu.
Passo e lei. Obrigada pela página.

Nilson Barcelli disse...

Há memórias que são fotográficas.
Belíssimo texto, gostei imenso.
Tal como dos desenhos, como sempre.
Manuela, querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

disse...

Ai, "Amiga" como eu gosto de te ler...

Se eu dia eu abrir uma Editora, prometo-te 25% de desconto logo à cabeça!

Lê Fernand's disse...

pude ver a cena.
lindo texto.

Sonhadora (RosaMaria) disse...

Minha querida

As flores ainda um dia se vão levantar do chão e os sonhos vão novamente voar como uma gaivota.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Luís Alves da Costa disse...

Nessa fotografia, nós grafámos uma coisa muito estranha, que é o tempo sem forma, uma maleabilidade que se entranha pelas frestas dos nossos sentidos, e quando nos falam dos nossos tempos passados, nós rimos em forma de escadaria, com aquela volátil sensação do "não foi nada disso", como se eles pudessem saber aquilo do qual nem nós próprios, nem antes, nem hoje, nem, talvez, amanhã, alguma vez, precisaremos o sentido, a forma e a emoção

Marcos Satoru Kawanami disse...

Manuela,

Aqueles pastéis da fotografia não são os pastéis que comi.
Os que comi não foram fotografados.
A foto foi achada na Internet para ilustrar a situação.

pax et bonum
Marcos

Beatriz disse...

Precisamos de flores assim aqui no Brasil.....as que temos agora estão todas murchas, e este ano creio que não ressuscitarão....

Um beijinho Manuela

Bia

. intemporal . disse...

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. eu não sei fazer tantas contas . :) . mas . entre o antes e o depois . esbarramos neste agora . e agora ? .

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. íssimo feliz .

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Isa Lisboa disse...

As memórias são a cores... Aposto que as pétalas voaram. E no chão ficou a memória também, do vermelho...!