outonar




Guardamos as bicicletas e as botas da chuva, pesamos as castanhas até perfazerem um quilo, para que cheguem para todos, assadas cá fora entre as cinzas de uma fogueira já extinta. É uma arte esta forma de as assar, lentamente, pacientemente. Mas a infância é impaciente e a espera, um espaço vazio e solitário. No parapeito da cozinha alinham-se as tigelas de marmelada e o gato vagueia por ali.
Depois, preenchemos o silêncio com uma gargalhada, um grito, uma briga, o ruído de uma dobra numa folha de papel. 



 













13 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA

Sempre maravilhosos quanto simples, a história e os desenhos e neles impera um silêncio cheio de tudo quanto escreves no último parágrafo.
De tudo e mais:

BRAVO!

Jaime Latino Ferreira
Estoril, 19 de Outubro de 2020

CCF disse...

Assim apetece Outonar:)
~CC~

Mar Arável disse...

o gato merece

brancas nuvens negras disse...

Gostei muito deste seu poema e da sucessão de imagens. Muito bom.

" R y k @ r d o " disse...

Li em silêncio e, interiorizando cada palavra, cada verso, em silêncio me deixei ficar
.
Cumprimentos

Rogério G.V. Pereira disse...

Por aqui
Já foi, mas já não é assim...
Pesa a ausência
e a quebra do silêncio

Graça Pires disse...

É assim mesmo o outono: com castanhas assadas (também usei esse modo de o fazer) com marmelada, com folhas douradas voando pelo chão.
E "a infância é impaciente e a espera, um espaço vazio e solitário". Quanta sensibilidade, minha Amiga Manuela!
Cuida-te bem.
Um grande beijo.

Maria João Brito de Sousa disse...

Não tenho castanhas, nem dentes, nem força física para calçar as galochas, mas tenho a gata :) E gostei imenso deste Outonar, Manuela!

Forte abraço

© Piedade Araújo Sol disse...

Que bem que lembra o outono.
Quase que se pode ver o cenário e o cheiro das castanhas.
Belo texto Manuela.
Beijinhos
Obrigada pela visita!
:)

Rita Freitas disse...

Sempre bom passar por aqui. Fica a sensação de paz.

Abraço

Maria Eu disse...

A ternura feita palavras, feita Outono.

Beijo, Manuela :)

Agostinho disse...

Coisa linda, Manuela, os "origamis" aqui deixados, para (a) gente grande crescer como gente pequena.
Difícil é dobrar a folha como se fosse esquina. Esconde-espreita.
Mas há tempo de aprender.
Quantos queres?
Castanhas, caruma-agulha-sama,fogueira, cinza, marmelada
de várias cores à espera de pão.
Tudo coisas de outono:
figura, fruta, flor...

Obrigado, beijo e um bom ano.

Parapeito disse...

Tão bonito e tão sensível, as palavras e o outono*