ternário






Vêm-me à cabeça os elfos, os silfos e os gnomos. Minúsculos, invisíveis, estranhos, imaginários e aí permanecem, na minha cabeça. No início entusiasmam-me, contam-me coisas que eu não sei, transportam-me para as nuvens, os espelhos, as correntes de ar, mas logo discutem, zangam-se, amuam. Convido-os a sair, vejam este outono quente, as folhas a atapetar a terra. Interrompem-me, cala-te, está-se bem aqui a galopar enredos, não escrevas banalidades, as folhas sempre caíram no chão.
Abano a cabeça e eles escorregam, desequilibram-se e eu rio-me e prometo contar-lhes três histórias e um grande final, ruidoso como eles. Ou encontrar-lhes uma casa com um telhado inclinado ou um chapéu-de-sol ou de chuva. Dar-lhes uma bebida mágica para que sonhem e subitamente, uma luz no meu lobo frontal. Vamos apanhar cogumelos, seres pequenos, estranhos e invisíveis? 
E fomos. E eram frades, púcaros, míscaros, sanchas, repolgas, boletos, tortulhos, rocas e lanternas-das-bruxas.











O silêncio é este manto húmido e fértil de folhas que nos faz pousar a cabeça e adormecer. 






8 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


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o silêncio é ouvir-te contar histórias embalado por um tempo de valsa


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 27 de Outubro de 2017

Mar Arável disse...

Tantos são os silêncios

Bj

Rogerio G. V. Pereira disse...

O silêncio também é o manto da morte.

Cuidado com os amanitas e os que trazem dentro de si a Orelanina (soa a poema, ainda por cima)

Marcos Satoru Kawanami disse...

As prosas poéticas que escreves têm estilo próprio, muito bom.

abraço

Graça Pires disse...

"está-se bem aqui a galopar enredos"...
Apanharam cogumelos mágicos?
O silêncio ficou nas entrelinhas do que aconteceu sem aviso...
Sempre tanto, Manuela.
Um beijo.

Maria Silva disse...

simplesmente...gosto.

Beatriz disse...

minúsculos seres que nos atormentam com essas pequenas maravilhas!!!
Silêncio é bom, mas eu prefiro o barulhinho das folhas ao vento...

Beijinho Manuela
Bia

. intemporal . disse...

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. o silêncio traz.nos as vozes sibilantes dos deuses . as únicas que nos são o ninho . e o leito do apreço .

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. íssimo feliz .

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