Vêm-me à cabeça os elfos, os silfos e os gnomos.
Minúsculos, invisíveis, estranhos, imaginários e aí permanecem, na minha
cabeça. No início entusiasmam-me, contam-me coisas que eu não sei, transportam-me
para as nuvens, os espelhos, as correntes de ar, mas logo discutem, zangam-se,
amuam. Convido-os a sair, vejam este outono quente, as folhas a atapetar a
terra. Interrompem-me, cala-te, está-se bem aqui a galopar enredos, não escrevas
banalidades, as folhas sempre caíram no chão.
Abano a cabeça e eles escorregam, desequilibram-se e eu
rio-me e prometo contar-lhes três histórias e um grande final, ruidoso como
eles. Ou encontrar-lhes uma casa com um telhado inclinado ou um chapéu-de-sol
ou de chuva. Dar-lhes uma bebida mágica para que sonhem e subitamente, uma luz no meu lobo frontal. Vamos apanhar cogumelos, seres pequenos, estranhos e invisíveis?
E fomos. E eram frades, púcaros, míscaros, sanchas,
repolgas, boletos, tortulhos, rocas e lanternas-das-bruxas.
O silêncio é este manto húmido e fértil de folhas que nos
faz pousar a cabeça e adormecer.