o peixe com voz de tenor








Estou mal-amanhado. Aliás se não o estivesse, já não falava, não volteava, não dançava na crista da onda. Seria um peixe frito, melhor sorte do que em empadão. Ignoro que criatura insípida inventou empadão de peixe. Picado, torturado, sufocado em puré de batata, coberto de gema de ovo para tornar a coisa mais solarenga, mas não.
O meu humor anda rasteiro, ao nível dos linguados escondidos na areia. Pelo menos esses cozinham-se au meunier, molho de manteiga fresca com umas gotas de limão. E se acompanhar com umas batatas fritas aos palitos finos, até eu os comia.
Agora cansei-me de grandes cardumes de pequenas tainhas e os dias encurtam-se a arrepiar-me as escamas. Talvez o fundo do mar não seja mais o mesmo, mas regresso a casa antes de o equinócio chegar.



























le poisson de setembre








16 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Já tinha saudades ...

... e de um peixe assim, requintado e au meunier, à maneira, ainda tinha mais!



Jaime Latino Ferreira
Estoril, 16 de Setembro de 2016

Rogerio G. V. Pereira disse...

Recomendação:

Vai ao Oceanário
qu´isso passa-te

(Charles Trenet é meu irmão!)

Graça Pires disse...

Peixes lindos como estes não são para comer. Já tinha saudades de te ler. É sempre um gosto enorme.
Um bom fim de semana.
Beijos.

Beatriz disse...

Que bom vê-la por aqui Manuela!
Ultimamente meu humor anda como o de um "peixe palhaço", mas a paciência continua como a de um "Baiacu", he he.

Beijinhos e bons ventos

<º(((< Bia

Mar Arável disse...

Nos seus dedos
sempre voadores mesmo os peixes
Bj

Luis Alves da Costa disse...

Lindo, o peixe.

Não, não como.

Só vejo :-)

Petrus Monte Real disse...

... Afinal
parece muito bem amanhado,
desenvolto
e capaz
de dar vida ao fundo do mar
como sempre!

Beijos

Majo Dutra disse...

Um tenor muito lindo...
(Não quero dizer 'gatão' para não o arrepiar!)
É muito agradável voltar a ler os seus divertidos
e simpáticos textos.
Dias aprazíveis e felizes.
~~~ Abraço, Manuela ~~~

Tere disse...

Encántame o teu blog Manuela, xa facía tempo que non andaba por él.Noraboa

. intemporal . disse...

.

.

. sublime . :) .

.

.

Jacintinha Marto disse...

É um peixinho de verão para entrar no outono,
beata Jacinta,
dizem as irmãzinhas da segurança social, e inclinam-me a nuca para a frente, para eu ver as cores e tocar com os olhos,
e eu,
coitada, não sei se é de ser daltónica quando me convém, só vejo missangas azuis, verdes e amarelas, dizem que valem ouro nas lamas de Bafatá,
mas isso é lá,
cá, preferem notas de cinco para irem para a Sagres Imperial, na volta, apanham a carcaça na curva da Damaia, só lhe fazem flexões em cima, quantas vezes ali entornada só penso, treinos da Amadora só saem nos jornais, os meus são aqui às escuras, preto sobre o escuro, branca, só eu, esta cutis beatificada que a ternura não deixa durar muito, o outro furriel dizia, vou-me portar como um animal, estes não dizem nada, meia hora passada, pareço um Zoo, coberta de animais,
a minha limpidez já está toda nodoada negra,
o pior foi mesmo o Frankelim, da Outurela, só vinha ver os parentes, ficou pela enjeitada, a meio da recruta rebentaram-se-lhe as rastas, fui envolvida numa nuvem da fera, parecia um Jean Cocteau da Cova da Iria, fiquei toda coberta com as missangas dele, azuis, amarelas e verdes, parecia a bandeira da Jamaica às fatias,
não tens vergonha de fazer isto a uma acamada?...,
e ele,
sorte tua, que não sentes nada, sentisses e até gostavas,
minha cota,
agora vou para a cubata,
e assim sempre foi e assim sempre será,
palavra do senhor de bafatá

A Casa Madeira disse...

O mar e o que nele contém sempre nos
da belas inspirações;
Ficaria com pena de comer esses peixinhos tão graciosos
com olhares curiosos.
Prazer em conhecer o blog.
janicce.

Jacintinha Marto disse...

"Estou mal-amanhada.
Aliás se não o estivesse, já não falava, não volteava, não dançava na crista da onda,já não esperneava,
e não esperneio, que sou uma santa camada.
Seria um peixe frito, melhor sorte do que em empadão,
talvez, talvez não,
hoje acordaram-me aos gritos,
dêem-lhe Ventilan, dizia as douradinhas da Sertã,
Ventilan, não, que eu sou muito respiradeira, pareço um cachalote, quando me cai a vaga deles, a maré negra, respiro por um canudo, e não sei se é boa ideia desatar a andar, dizem que a onda rebenta melhor nas praias planas, esgotem o stock com quem precisa, nisso, sou como as alentejanas, sou de mexer pouco, ou nada, pelo que dizem os médicos...

. intemporal . disse...

.

.

. e,,, .

.

. no dia internacional do idoso .

.

. deixo um grande beijinho à Jacintinha .

.

. :) .

.

.

manuela baptista disse...

a Jacintinha foi comprar Ventilan, mas dar-lhe-ei o recado :))


também é dia internacional da música!

Agostinho disse...

Bem me parecia. Eu que venho de cima para baixo... Porque lhe tiram a escama que dá luz à noite?

Abraço.