outra vez marulhar

















Levas-me, barco, uma canção de embalar, ao mais distante farol onde mora um faroleiro todo o dia a farolar. Para que não escureça a noite nem se quebre o arnês que nos prende em alto mar ou nos bata a onda forte que nos fará afogar.
Tenho pressa, disse o barco. Já virei a estibordo que é o lado direito do mar e a canção de que me falas, não a poderei guardar. Estas aves marinhas estão famintas de pausas, compassos e melodias e uma sereia de cabelos verdes que me jurou desviar e eu não a quero nem ver, quanto mais desencantar.
Navega então a bombordo que é o lado esquerdo do mar. O lado bom, onde bate o coração e eu sopro-te palavras de marear, ai sim, ai não, tanta espuma marinha e perdido anda o farol em busca da rosa dos ventos e de uma outra encarnada, para se enfeitar.

































Nada sei de canções de marinheiros todo o dia a marinhar, gritou o farol do outro lado do mar. Soltou-me da rocha dura, um peixe-pico e nada me prende agora, nem ilha, promontório ou a baixa-mar.
Aiô! Respondeu um farol pequenino, sem perceber muito bem do que se falava ali. Mas tinha bom ouvido e quando a noite chegou, era de muitas estrelas e plena a lua e o barco de uma vela só afastou-se cada vez mais, até ser apenas um traço ou dois ou três e uma ideia a vaguear.












































16 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Ah faroleira brava
que quando cantas
bem lavras
em canção de marear


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 1 dew Agosto de 2015

Majo disse...

~~~
~~ Um conto encantador,
muito adequado aos dias que decorrem.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~~ Um Agosto maravilhoso.
~~~~~ Abraço amigo. ~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Rogerio G. V. Pereira disse...

Gosto de tuas histórias
De velas brancas, de remos largos
de barcos,
de marear
Gosto de partir e de chegar
e nem sempre o permite, o mar
Gosto de faróis,
e gosto dos faroleiros avisados
e dos avisos dados

Desgosta-me a treva
e o rumo que a barca leva

Benó disse...

Acima, acima gajeiro, acima ao mastro real.......
Que possamos sempre ter um farol no nosso caminho.
Gostei muito dos desenhos, de tudo.

Beatriz disse...

Um farol ao mar....e as ondas doces sempre nos levam até lá!
Encontrar um pequeno farol quando se está caminhando a beira mar despretensiosamente é TUDO!

Um beijinho Manuela <°(((<

Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Lunna Guedes disse...

Ah, como é bom voltar a ler-te... saborear o teu mar, lembrar-me das linhas de Pessoa na pessoa de Campos, com seu soneto a se sentir em pleno mar, mesmo sem sair do lugar... você foi meu farol nesse final de noite, quase outro dia.

bacio

Graça Pires disse...

Bem, Manuela, além dos teus desenhos me encantarem, as tuas palavras são sempre de espanto para mim. A toada que usas neste teu texto, a lembrar a "Nau Catrineta" não só me deliciou como me levou por outras marés...
Um grande beijo.

mz disse...

Eu gosto de todos os faróis,
e das histórias
dos faroleiros
do barcos à vela,
como os teus que falam
e nos levam aos
sonhos
e
fantasias
do
mar.

Uma abraço para si Manuela.
Boa semana.

Mar Arável disse...

Que vivam os faróis
nas suas palavras incomensuráveis

Agostinho disse...

Vou contá-la à minha menina.

A história que aqui traz
contou-a Manuela no mar
na demanda de um farol
Disse-lhe a mãe "não vás"
mas com ela ia um arrais
no governo da embarcação
enleado no canto da canção
logo ele deixou de remar
e o farol nunca mais...

disse...

~~~
~~gosto tanto do que escreves,
que até as tuas litanias me parecem breves.
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

~~ um agosto maravilhoso.
~~~~~ patada amiga. ~~~~~
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Kika disse...

Kriu?

Bem, Manuela, além das tuas resenhas me encantarem, as tuas ressalvas são sempre de encanto para mim. A soada que usas neste teu texto, a lembrar uma das "tuas netas" não só me deliciou como me arrastou encharcada por todo o convés...
Um grande beijo.

Kriu!

. intemporal . disse...

.

.

.

. e eu,,, . perdido.de.riso . :))) .

.

. venho saber da d. jacinta . :))) .

.

.

. íssimo . sempre feliz .

.

.

Jacintinha Marto disse...

Longe está a Jacinta,
mas perto seu coração,
roda que roda, roda a calçada,
rumo ao comentário,
lá vai
a cama articulada,
sobe que sobe,
Jacinta acamada,
olhe, Manela,
o difícil foi "subir pâ cima",
para lhe vir dizer olá,
que agora para o hemisfério de baixo,
já levo a cama com lastro,
pedras das negras agarradas.

Bem haja e apanhe muitos banhos de sol que a mim não têm faltado :-)

:-*

Jacintinha Marto disse...

... para baixo, todos os santos ajudam, e então as santas,
benzó-deus,
bombordo,
nem sei como me aguento com esta carga toda...

bem haja

Isa Lisboa disse...

Naveguei entre estas palavras que (sempre aqui) me fazem sonhar! :)

Beijinhos, boa semana!