dente de leão não é não















































Regressamos aos ruídos da casa. A porta a bater, os passos na escada, o papel de carta a cair da mesa, o afiar do lápis, o soalho a estalar. Os lençóis de linho são mais frescos e faz calor, é junho, quem dorme em lençóis de linho, quem escreve em papel verde-água ou azul-marinho. Uma caneta fina e tinta preta da china ou de um país muito distante, sem nome ainda. Quem. Debaixo da escada as sandálias de couro e a bicicleta encarnada, o cão ladra como sempre ladrou.
E num fechar de olhos invadiam os campos e nós soprávamos. Porque me lembrei agora não sei, nem tão pouco são eles na imagem mas fica-lhes bem os ruídos e a casa.








Allium







16 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Li e imaginei.
Há muitos ruídos em casa. Parece uma conspiração avessa ao meu silêncio.
Descalços os pés seguiram por entre tantas coisas arrumadas no canto das escadas.

Marcos Satoru Kawanami disse...

Ah é? Eu não sabia que as sementes eram assim. Gostei de saber agora.

=)

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


quem

quem escreve assim faz de ferramentas e suportes que utilize o verde água do mar, caneta cavalo-marinho


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 6 de Junho de 2015

Mar Arável disse...

Regressou aos pregos

para nos salvar

Bj

Luís Alves da Costa disse...

Está fantástico, por que a incerteza entre os tempos, os lugares, o focar dos olhares
são como aquele pontapé que se dá com a boca no dente de leão,
e ele segue todas as imprevisíveis derivas da sua viagem

Seria um sonho cair das nuvens numa espuma esvoaçante dessas sementes brancas.

Perpetuum mobile

Rogerio G. V. Pereira disse...

Os cães que ladram como sempre ladraram
fazem parte dos ruídos da casa

Graça Pires disse...

Os ruídos da casa: do soalho, dos móveis, das paredes, do coração...
Bem me parecia que escrevias em papel verde-água. Pressente-se pela leveza das palavras.
Um beijo, Manuela.

Beatriz disse...

Lembrou-me a infância.....belos dias!

Um beijinho Manuela

Bia <°)))<

Kika disse...

Kriu?

Quando escreves assim, olha, só me apetece é fazer-te sopa para o resto da vida...

Kriu!

disse...

O Passos na escada? Só se for na tua, pois na minha, se me aparece, empurro-o!

. intemporal . disse...

.

.

. fantasmas de verão . sejam ! porque não ? . :) .

.

. sempre límpida e cristalina . a Sua escrita .

.

. (. o verão está aí e tem um cariz dualista . se por um lado nos sentimos mais confortáveis . por outro . há também um vazio no verão . talvez . um vazio de verão .) . :) .

.

. íssimo feliz .

.

.

Agostinho disse...

Manuela,
despertou-me
os ruídos sim
abafados o sopro
do coração-emoção
os filamentos a navegar
sem carta de marear
pela charneca sem fim

a fazer muita gente feliz

Jacintinha Marto disse...

"o soalho a estalar. Os lençóis de linho são mais frescos e faz calor, é junho",
põem cá fora a cama da inválida a arejar, pensam elas que por ser santa tenho mofo, sou muito mais arejada de corpo e alma do que muitas delas, coitadas,
o problema vem sempre depois, quando estou eu entregue a estes pensamentos, já se conjugam no Céu Júpiter e Vénus, e eu eu penso, é agora que vem um Efremovich calçar-me o sapatinho da Cinderela, e vou sair desta cama, e voar, voar, voar, e ser uma inválida casada, acho que ia ser um escândalo em Fátima a Jacintinha aparecer prenha de 6 meses, mas caio então na realidade, toldam-se-me as estrelas e começam os eclipses da carapinha,
e eu,
és tu, dente de leão?...
e eles,
não, minha cota, dente de marfim, sabor puro e do africano, e fecha-me essa boca que o pessoal está de te ouvir gritar...

Sinto-me uma santa popular.

Bem hajam, sim?...

Jacintinha Marto disse...

E já que o Paulo Intemporal está com a caixa de comentários fechada, venho aqui despejar, sou uma gulosa, uma sofrega do teclado,
não há nenhum "enter" que me satisfaça,
diz ele,
""What lies behind us and what lies before us are tiny matters compared to what lies within us",
e é tão verdade, sobretudo, quando nos assaltam o corpo dois e três...

© Piedade Araújo Sol disse...

Manela

este texto (magnifico) fez-me regressar à infância e a todos os ruídos da casa, apenas a bicicleta encarnada não existia.
tudo o resto estava lá.
gostei muito das imagens também.
bom fim de semana.
beijo
:)

Majo disse...

~ ~ ~
~ Também não gosto: nem do nome científico,
nem do nosso nome popular, prefiro o termo
dos franceses: «dandelion».

~~ A flor das sementes é símbolo do efémero
e um brinquedo infantil muito apreciado...

~~ Excelente a grande habilidade em descrever
memórias dum tempo animado e despreocupado.

~~~~~~~ Dias agradáveis e felizes. ~~~~~
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