e o gelo a quebrar










-O gelo é como um espelho - disse a rapariga. E apoiando-se nas mãos ajoelhou-se sobre o casaco branco, a cabeça inclinada, o olhar fixo na camada fina de gelo. O reflexo brilhou.
A raposa sentou-se a seu lado e não disse nada. Ao longe grasnavam os gansos e os lemingues curiosos mantinham uma distância de segurança, não fosse o salto, não fosse a fome.
E porque era única e longa aquela noite e o teto uma estrada de Santiago e a estrela polar, enroscaram-se e dormiram longamente, as raposas. Sonharam que o gelo quebrava e um peixe e um urso dançavam e não havia mal que lhes tocasse, pois não.
















18 comentários:

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


hmmm ... de um imenso suspiro de satisfação!

De plenitude.


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 25 de Outubro de 2014

Rogerio G. V. Pereira disse...

Sonhemos
Que se quebrem espelhos
e os gelos
(e que nenhum mal
nos possa tocar)

Marcos Satoru Kawanami disse...

Manuela,

Contemplar a vida por essa tua óptica tranquila é bom.

:)
Marcos

luís rodrigues coelho Coelho disse...

E os sonhos são assim até acordar.
Depois corre-se o risco de o espelho partir.

Graça Pires disse...

Encantatório este conto, Manuela. Quase que consigo ver a dança do peixe e do urso...
Um beijo.

Luís Alves da Costa disse...

Vestiu a pelagem para rumar a Dhangzy, e foram os dez mil fortes e o dez mil rios da viagem, por entre os terraços de arroz, e, ao fundo, a solene bruma já marcava a distância, e, chegado a Dhangzy o velho sábio estendeu o dedo para as cores que o branco manto da neve tornara iguais à pelagem do viajante. E foi assim que adormeceu, ao som de um torpor suave de mil ecos

Vitor Chuva disse...

Olá, Manuela!

E é bom quando os sonhos acabam assim, depois duma longa noite bem dormida...

Um abraço e boa semana.
Vitor

Mar Arável disse...

O gelo queima

Bjs

. intemporal . disse...

.

.

. por cá . há muito que o gelo se encontra permanente.mente espelhado nos rostos de tanta gente . um gelo que nem o calor consegue derreter .

.

. talvez possamos vir a ver os reflexos . talvez .

.

. íssimo . feliz .

.

.

disse...

É isso que provoca o reumatismo, dormir sobre o gelo, apesar de fazer bem às hemorróidas.

Talvez por isso, nunca tenha visto os bichos que referes, com esses acrescentos, e sei o que digo, pois nenhum deles usa roupa interior...

Kika disse...

Kriu?

Outra vez os bichos brancos?

Isso é saudades, ou quê?

Kriu!

mz disse...

Nos sonhos, até os mais perigosos seres se transformam em criaturas mansas.

Um abraço para si, Manuela.

© Piedade Araújo Sol disse...

ai que serenidade que me deu ler este texto logo pela manhã!

:)

Rita Freitas disse...

Há noites assim, únicas e longas :)

Bjs e uma boa semana

Silenciosamente ouvindo... disse...

A magia de uma noite muito especial
para nos apaziguar.
Bj.
Irene Alves

Agostinho disse...

Não!
Sem mancha.
O branco
é imaculado
na intenção.

Beatriz disse...

Adorável!
Como não viajar assim até os polos e andar sobre o gelo quebradiço, vendo ao longe a estrela polar?!

Grande abraço Manuela!
Bia

Isa Lisboa disse...

Sim, há lugares onde não há mal que nos toque! :)
Um abraço, boa semana!