siena


quando tudo se acastanha em sombreados dourados compostos de matéria indefinível sem ornamentos e lamentos
os seres alados encontram-se ao entardecer
sussurrando ladainhas ternas fechando as asas como quem se abraça devagar porque pressa não é coisa para gostar
gostamos nós das entretecidas folhas vestidas de rainhas da noite e as aves peixes homens ou borboletas procuram as tocas e os ninhos e assim enrolados em si
são como crisálidas de espanto à espera da lua cheia
os nossos pés descalços assemelham-se à terra que pisamos e não deixamos pegadas viajando incógnitos vagos delicados
somos e não somos bem amados
e se por um acaso acordarmos antes do seu tempo os morcegos adormecidos nas casas abandonadas e nos túmulos dos poetas ou os ouriços nas profundezas dos buracos
sentiremos um agitar das águas e um vento seco que levanta as penas dos pássaros faz bater as portas e apaga as luzes das cidades
a noite alonga-se suspendendo as suas pontas nas árvores mais altas
uma a uma para não entontecer e há sempre uma coruja sonolenta que nos empresta o adormecer
e silenciosamente tudo se acastanha até desvanecer




desenhos a pastel de mb

49 comentários:

. intemporal . disse...

.

. a.castanho.me no mais claro tom a ser meio .

.

. e,,, gota.a.gota sorvo este en.tardecer .

.

. onde me anoiteço .

.

. um .

.

. dois .

.

. três .

.

. beijos felizes .

.

. querida manuela baPtista,,, .

.

. paulo .

.

walter disse...

hoje uma pétala dourada soltou-se de mim e pariu para sempre...

e hoje não consigo dizer mais nada!

um dourada abraço querida Manuela

walter

walter disse...

peço desculpa... queria dizer partiu e não pariu:)

walter

. intemporal . disse...

.

. walter,,, .

.

. entrou.me agora pela janela a pétala dourada que partiu, parindo de ti .

.

. precisa de uma boa escovadela,,, .

.

. e fica como nova .

.

. de.pois entrego.te em mão .

.

. :) .

.

. abraço .

.

AC disse...

Manuela,
É tão verdade e tão harmonioso...
Quem me dera falar assim do equilíbrio das coisas!

Beijo :)

Luís Coelho disse...

Gostei demais deste texto.
Uma pintura inacabada e que se vai repetindo nestes dias de outono ainda quente.
Lindo,lindo.............

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Quando tudo se acastanha
até desvanecer
o que em mim se acanha
tem o tamanho do alvorecer


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 19 de Setembro de 2010

BRANCAMAR disse...

Por aqui se anunciam os sombreados do Outono, num Verão que teima em ficar.
Manuela, que dizer mais que já não seja repetido da leveza e da beleza com que tudo nos é transmitido por si?
Até o Walter se desvaneceu... :)
Venho lá da casa dele onde vi a pétala dourada a esvoaçar até aqui e voei com ela.

Uma boa semana de espanto e lindas noites, ainda com estrelas.

Beijinhos
Branca

Beatriz disse...

Oi Manuela,
Tudo tão suave que me deixa leve, leve, leve...
Beijos e bom finzinho de domingo.
Ih, já é segunda?!
Bia,
www.biaviagemambiental.blogspot.com

Dulce AC disse...

"a noite alonga-se suspendendo as suas pontas nas árvores mais altas"

que maravilha Manuela..(Olá..!)

será que este tempo nos chegará em tempo próprio de o sentirmos...é que está tudo tão diferente, mesmo o tempo

e nós muito provávelmente seremos os causadores destas alterações climáticas...

adorei ver-Vos e estar convosco ontem, foi muito bom (Olá Jaime..!)

beijinhos de bom dia

dulce

contagotas disse...

Adorei sua pintura outonal onde as tonalidades de siena tingem as folhas das árvores, acastanhando-as, para que o vento as leve até desvanecer.
Muito bonito!

Bjos
MariaIvone

Filomena disse...

Devagar, chega o Outono , porque "pressa não é coisa para gostar"



Um beijo de fim de Verão



Filomena

manuela baptista disse...

Paulo

meio tom
é um chocolate de leite

um tom
é um chocolate preto

entre os dois, atardo-me eu para os trincar!

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

Walter

seja pétala ou folha
mas dourada

porque dourado é o brilho das estrelas
e há sempre uma que se acende

quando pela janela aberta, parte um pedaço de nós

um beijo

manuela

Mel de Carvalho disse...

Impõem-se a leitura. O espaço que, intertextual, nos apela à viagem - das pedras que são seixos e destas na dolência das vagas, os caminhos.
Depois chega o Outono, que nos abraça, colo e lume e logo ali, na praça o homem das castanhas e a viagem à raiz do tempo, onde o berlinde rolava da algibeira esfarripada da criança...
E logo, mágicas, da Primavera de antes, esvoaçam borboletas, nas folhas brancas... provindas das "crisálidas de espanto"

Um hino, a sua escrita. Gratíssima pela partilha
Mel

manuela baptista disse...

AC

obrigada!

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

Luís Coelho

uma pintura inacabada
que se vai pincelando na quentura dos dias

um abraço

manuela

manuela baptista disse...

jaime latino alvorecido

bonito o poema!

manuela

manuela baptista disse...

Branca

e que o Outono de um Verão que teima em ficar

seja lindo para si!

beijinhos

manuela

manuela baptista disse...

Beatriz

já passou domingo
é segunda quase terça, ih! :))

um beijo leve, leve, leve

manuela

manuela baptista disse...

Dulce AC

Olá! Olá!

das alterações não sei...

mas podemos sempre fazer, uma estação dentro de nós

beijinhos

manuela

manuela baptista disse...

Maria Ivone

...e contarei cada gota de chuva deste Outono, apenas para lhe contar

obrigada!

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

Filomena

podemos fazer uma festa do último dia de Verão!

era bonito...

beijinhos

manuela

manuela baptista disse...

Mel de Carvalho

dourado o seu nome!

e o cheiro das castanhas assadas ainda não anda por aqui

mas é bom!

como era bom
um bolso cheio de berlindes...e ainda tenho alguns :))

um beijo

manuela

Graça Pereira disse...

Manela
Eu queria um Outono sempre...para ler textos como este...onde silenciosamente tudo se acastanha até desvanecer...
Que importa a melancolia do Outono?
Porquê? Se o amarelo/acastanhado da paisagem é sinal de tanto que se deu á vida!!
Beijo
Graça

manuela baptista disse...

Graça Pereira

e do tanto que a vida nos dá!

num eterno outono

beijinhos

manuela

alegria de viver disse...

Olá querida amiga

Isto é o que posso dizer," mas é uma beleza de pintura".
O texto e os desenhos.
Amo esta estação o Outono, as arvores ficam verdadeiras aquarelas multicoloridas.
Viva a natureza, que se entrega a renovação com todos os ciclos terminados.

Com muito carinho BJS.

Maria João disse...

Manuela

E eu que aqui também me acastanho, desvanecida e fundida a esta mesma natureza, como quem fechando a asa, a abraça.
Este abraço, que reduz toda a ausência ou distância e se solta em perfeita harmonia.

Das folhas, o seu traço Manuela, que por si só é um precioso detalhe deste Outono que agora recomeça.

Um beijinho

Duarte disse...

Essa narração coincide com o outono... gosto imenso do outono!
Que lindos os tons que aqui me deixas...


O sol cai sobre a linha do horizonte
enchendo o ar de cores rubros: é outono!


Abraços de vida

f@ disse...

Olá Manuela,

Venho de ler o Outono … aquele !ntemporal onde o mar se deixa adormecer no poente quando cai uma pé®ola das Tuas palavras…
deixo as gaivotas sonhar com patos e descansar os olhos nas tuas folhas cor de mel e cetim….
Gosto imenso de Te ler… e adoro as Tuas pinturas

!nfinitos beijinhoss

manuela baptista disse...

Rufina

e na sua aquarela outonal
ciclo dos nossos ciclos

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

Maria João

que também abraço

fechando e soltando penas
como um pássaro de todas as estações!

manuela

manuela baptista disse...

Duarte

das narrativas e das praias de água brava

obrigada!

um abraço

manuela

manuela baptista disse...

f@


apenas quem sabe ler o Outono, aquelE

entende o mel de cada folha e solta os patos engaivotados em marés!

dizer que gosta das minhas pinturas é um estímulo para mim...

um beijo

manuela

. intemporal . disse...

.

. nhanhanhanha!! .

. :) .

. no meu blogue tenho um conto mais bonito que este .

.

. nhanhanhanha!! .

.

. íssimos felizes .

.

manuela baptista disse...

lá isso tem!

muitoooooooooooooooooooo mais bonito :))))

um beijo

manuela

manuela baptista disse...

e, Paulo

rendi-me aos pontinhos!

é contagioso!

claro que nunca chegarei...............à lua!

manuela

Alis disse...

.... a Manela sabe desenhar mto bem coisa que a mim custa mto...
a Alis gosta mto dos teus desenhos

beijinhosssssssssss

Graça Pires disse...

Possso escrever um poema na folha dourada?
"Vê como se encheu de pássaros a árvore que desenhaste no meu peito..."
O teu texto é muito belo Manuela, mas não resisti. Adoro escrever nas folhas dos plátanos...
Um grande beijo.

manuela baptista disse...

Alis

se não fosses pássaro
eras borboleta, com um nome assim!

quando eu souber desenhar as tuas aves

ensino-te a pintar as folhas do Outono e as outras

de todas as estações

'tá bem?

um beijo

man(u)ela

manuela baptista disse...

Graça Pires

tem mais folhas por aqui! vá lá...

e são belos os poemas dos plátanos!

um beijo

manuela

. intemporal . disse...

.

. 1 .

. 2 .

. 3 .

. 4 .

. 5 .

. 6 .

. 7 .

. 8 .

. 9 .

.

.

.

. 10 . pontinhos ! . yupie ! . . .

.

. :) .

.

. mas, dois são gémeos . :) .

.

. íssimos de felizes .

.

. paulo .

.

manuela baptista disse...

essa é boa!

clique lá no mapa e veja 62 visitas

yupie!

...apenas moram todos ao pé uns dos outros

mais os gémeos :))

os pontinhos são uma emoção!!

um beijo

manuela

AFRICA EM POESIA disse...

MANUELA

Lindo desenho...GosteiHoje ao ler os comentários no meu blog tinha um muito real que dizia...
... isto não era poesia
assinava uma amiga mas...anónima.

Claro que anónimo para mim é cobardia por isso arrisco a deixar um poema que eu gosto particularmente...

Um beijinho GRANDE

INFINITO


Longe muito longe...
Tentei ir, cheia de dor...
Para te esquecer...
E fui contemplar-te a ti, mar...
Mar, que tudo levas e tudo trazes...
E olhei-te com dor...
Com muita dor...
E pensei dar-te o que mais me doía...
E serenamente...
Olhei, pensei e doei...
Doei-te tudo o que tinha...
E baixinho pedi-te que me levasses...
Todos os sentimentos...
Que estavam a mais...
E senti...
A sensação de ser livre...
Senti que estava mais eu...
Mas vim e foi mentira...
Os sentimentos não se deitam ao mar...
Nem se atiram às ondas...
Estavam à porta de casa...
À minha espera...
Porque... quando são verdadeiros...
São eternos!...

LILI LARANJO

JB disse...

E assim num colorido outonal, no lufa-lufa de um entardecer a vida se insinua, agitando-se para adormecer.

Deliciosa a sua escrita!
Beijinho

manuela baptista disse...

Lili

as amigas nunca são anónimas...

e obrigada pela sua poesia!

um abraço

manuela

manuela baptista disse...

JB

obrigada!

um beijo

manuela

Jose Ramon Santana Vazquez disse...

...traigo
sangre
de
la
tarde
herida
en
la
mano
y
una
vela
de
mi
corazón
para
invitarte
y
darte
este
alma
que
viene
para
compartir
contigo
tu
bello
blog
con
un
ramillete
de
oro
y
claveles
dentro...


desde mis
HORAS ROTAS
Y AULA DE PAZ


TE SIGO TU BLOG




CON saludos de la luna al
reflejarse en el mar de la
poesía...


AFECTUOSAMENTE
MANUELA



ESPERO SEAN DE VUESTRO AGRADO EL POST POETIZADO DE CACHORRO, FANTASMA DE LA OPERA, BLADE RUUNER Y CHOCOLATE.

José
Ramón...

manuela baptista disse...

José Ramon

muchas gracias!

belo o poema e de chocolate gosto eu...

um abraço

manuela