o último dia de praia


no último dia
há um serenar de areia uma dolência morna um vento de setembro em outubro antes de tempo
uma onda brava agitada
de bandeira amarela encarnada conchas búzios e outros adornos costurados em pescoço esguio de princesa dos mares sereia de tantos amores sem dores
eu quero um balde e uma pá se eu construir um castelo de algas será para sempre porque o que não dura perdura no coração
ainda oiço a voz de uma gaivota reconquistado o espaço de um direito seu e dos peixes que ela trinca num instante
aquele eterno terno e galopante que nos conduz ao fundo dos oceanos
e pedir ao rei das tartarugas que nos solte um chapéu de sol que navega como um barco de pescador sozinho
todos dirão que bonito vai o barquinho
sem entenderem dos equinócios nem das marés das luas dos astros e do eixo da terra
e do recomeço de cada estação
que considerámos certo mas não é
como o último dia de praia
desenhado a lápis preto sombra luz e escuridão


desenhos mareados de mb

18 comentários:

AC disse...

Apesar dos sinais, enquanto houver gaivotas, enquanto se construírem castelos de algas..., ainda haverá coisas que consideramos certas e são.

beijo :)

walter disse...

chegado o último dia de praia, a sensação com que fico é que me emganei com o dia da chegada - o último é que deveria ser o primeiro, que é quando mar fica mais bonito...

Manuela,
da sua praia nunca hei-de sair!

lindo demais!

beijinho
walter

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Ainda te oiço a voz ecoante, galopante que perdura!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 10 de Setembro de 2010

Beatriz disse...

Que lindo Manuela!

Sou uma eterna apaixonada pelo mar e quando leio o que escreve, viajo para lá em pensamento....Nasci no Rio de Janeiro perto da praia e agora moro bem no meio do Brasil, distante do mar.
Saudades do "meu mar"!!!
Bjs
Bia
www.biaviagemambiental.blogspot.com

BRANCAMAR disse...

Ai, Manuela,

Já passei hoje por esta praia, até me ri com o Walter, com a sua ternura pelo mar, pois eu também acho que o último dia deveria ser o primeiro.
Cá para mim é todo o ano, sempre que eu puder e como não foi no Verão, também pode ser no Inverno, gosto sempre do mar, mesmo com chuva, passear de camisola de Inverno na orla do mar e molhar os pés fora de época é o máximo!
E depois com a Manuela e as suas histórias do mar, aqui na sua página é praia todo o ano e eu gosto.

O Mar é sempre bonito e as suas histórias também.

Beijinhos
Branca

Paula Raposo disse...

Não conhecia o teu espaço, que visito pela 1ª vez e agradavelmente surpreendida pela beleza das tuas palavras nestas marés.
Beijos.

. intemporal . disse...

.

. e assim se re.diz o dia a ser o último com uma voz ténue dolente e salgada .

.

. assim se aquieta a maresia na mestria de tanta ave à des.garrada .

.

. assim se atinge a meta, euforia, no dia-a-dia desta alma viajada .

.

. um .

.

. dois .

.

. três .

.

. íssimos . beijos felizes .

.

. um bom.fim.de.semana .

.

. paulo .

.

AnaMar (pseudónimo) disse...

praia Cem dias sem que nenhum seja o ultimo.
Haverá sempre um barco mesmo que desenhado pelos bicos de gaivotas errantes.
Ou por uma extraordinária contadora de histórias.
Bj

Duarte disse...

Como gosto destes desenhos teus!

Também tive que abandonar aquele mar, a frescura, e voltar para o calor... receberam-me 44 à sombra... queria voltar!

As andorinhas já se foram embora,
Também vou partir!
Olhando esse mar que me cativa,
Com a promessa de voltar;
Quero-me sentir pegado a esse mar,
Companheiro na solidão,
Que me fez vibrar e sonhar,
Que tanto me dá medo como consolo.
Que me embalou sendo criança.
Com o que brinquei depois.
Alimento de algumas ocasiões.
Que me arrolhou no amor.
Corgo, Torreira, Madalena,
Quiçá por ser o meu mar!?

Um grande abraço

alegria de viver disse...

Querida amiga

Estes desenhos cinza são pelo ultimo dia de praia?
Mas mesmo assim gostei, é arte e arte sempre é lindo.
O texto ficou colorido, delicioso para uma boa leitura.
Então temos o final de um ciclo e, o recomeço de outro, é a renovação.

Com muito carinho BJS.

Maria João disse...

Manuela

O que é efémero, pode ser eterno no coração. Como um castelo de areia ou o voo das gaivotas.
Se entendermos de marés e de equinócios, se soubermos como guardar no movimento inspiratório dos dias, a fragrância da maresia, nada será último, simplesmente, mas a continuação de tudo o que dentro de nós permanecerá eterno.

E porque eterno, Manuela, aqui se revela na sua escrita. Uma escrita bordada de um olhar diferente, mas permanente, para gente e coisas.

Um beijinho

Dulce AC disse...

"e pedir ao rei das tartarugas que nos solte um chapéu de sol que navega como um barco de pescador sozinho"

eu hoje ia por aí...

um olá (!) num abraço que leva um grande beijinho para si Manuela

e aproveitando a oportunidade um abraço ainda maior por levar 2 beijinhos de obrigado pelo lanche de ontem num encontro de amigos de fim de tarde (para mim que cheguei tão tarde com vontade de ficar mais um pouco, aqui me confesso)

foi muito bom estar convosco...
olá à Linda e ao José..(!)

e Olá (!) Jaime..!
Um domingo bem disposto feliz para Todos...:)

dulce

Filomena disse...

Manuela!

O mar é (e)terno.


Beijo com cheiro a último dia de férias


Filomena

Por toda minha Vida disse...

Bom dia, Manu.

Teu texto me fez lembrar quando vi o mar pela primeira vez.
Por anos o tive em minha janela, hoje apenas a cinco quadras sinto seu cheiro e a maresia que me embaça as janelas. O mar e seus mistérios precisaria de mais de uma vida e ainda assim não desvendaríamos seus segredos, melhor apenas se encantar por ele... afinal nos momentos de alegria extrema ou tristeza as lágrimas que molham nosso rosto e escorrem até nossos lábios são salgadas... carregamos um mar dentro de nós.
Beijo

Renata

contagotas disse...

Saudades antecipadas do Verão seguinte.
Belíssima e intensa sua escrita poética.

Bjos
MariaIvone

Graça Pereira disse...

Manela

Último dia de praia...de um Verão que foi quente...despedida de um sol que começa a pôr-se mais cedo mas na areia da praia ficaram marcas...tantas...das brincadeiras das crianças...dos castelos construídos com imaginação...dos coloridos variados dos chapéus de sol...
Mas a praia cheia de paz, casada com o silêncio apenas quebrado pelo ritmo das ondas..estará sempre á tua disposição...É a hora que os anjos preferem...o céu parece pousar sobre a terra e envolvê-la em serenidade...
Uma ou outra gaivota - quem sabe - virá recordar-te os dias movimentados do Verão e se falasse dir-te-ia...como agora é bem mais feliz!
Quem tem o mar ao fundo...sonha sempre e tem dezenas de historias para contar...
Gostei dos desenhos...tal como nas fotografias, a preto e branco...são muito mais bonitos.
Beijo
Graça

Graça Pires disse...

Desenhar a lápis preto o último dia de praia para definir a luz e escuridão da saudade dos dias em que o mar é só nosso, apesar das pessoas, muitas, que nos rodeiam...
Um belíssimo texto, Manuela.
Um grande beijo.

manuela baptista disse...

um abraço a todos

e obrigada!

manuela