se até os bolbos florescem

É muito simples. As andorinhas virão depois. Sobre os telhados ou já nem há telhados sobre as coberturas e destas prefiro as de natas batidas com açúcar, um fruto silvestre a rematar. O imperador tinha um espelho que refletia a maldade humana. A andorinha refletia o azul escuro do céu. É a minha história futura.
As massas de ar frio dirigem-se para o equador, são rápidas, fazem descer bruscamente a temperatura junto do solo. Paralelos somos nós perpendiculares ao meridiano.
Nada disto tem a mínima importância para os bolbos. Despontam no outono florescem na primavera. Umas vezes solitários, outras não.
Narciso não possuía um espelho, olhava-se na água dos rios e sabia-se belo. Dizem que se afogou, que era fútil, centrado em si. Gostamos de justificar tudo, de dissecar, de expor pormenores, alíneas, notas, adendas, parênteses, chavetas. Afogamo-nos.
Assim é meu desejo inquietar-vos com uma esperança de primavera fria, de futilidade de natas, açúcar, vasos amarelos levezinhos como cumulus humilis após a tempestade.
Se até eles florescem nem sempre solitários outras sim.
vaso amarelo abolbado à espera do canto das cigarras

18 comentários:

Rogério Pereira disse...

Inquietar-me? Sim, conseguiste
Senti-me vegetal
Um bolbo
Tão vaidoso quanto Narciso

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Os narcisos são simplesmente maravilhosos neste tempo frio.
É vê-los florindo em tufos e formando um harmonioso quadro.
As cores são as ideais e eles resistem ao nosso olhar.

Jaime Latino Ferreira disse...

MANUELA BAPTISTA


Resistindo e ainda que a uma frente fria, florescemos!


Jaime Latino Ferreira
Estoril, 23 de Fevereiro de 2013

. intemporal . disse...

.

.

. the last point . in Dubai .

.

. see you .

.

. happy kiss .

.

.

manuela baptista disse...

hello!

:)))

vitorchuvashortstories disse...

Olá, Manuela!

Bonito e enviesado jogo de palavras,como sempre: em que se escreve o contrário daquilo que nós lá temos que ler.Já quanto à proposta, fica desde já aceite - com uma condição:que a Primavera seja quente, já que assim até os bolbos ficarão mais contentes - e eu também...

Abraço amigo; bom fim de semana.
Vitor

Mz disse...

Escondem-se na terra os bolbos, espreitam e florescem alheios a todas as futilidades inventadas pelo homem.

Gosto de Narcisos e de afogar frutos vermelhos em natas com açucar.

Bom domingo, Manuela.
Abç

AFRICA EM POESIA disse...


vim matar saudades e deixo um beijinho

Isa Lisboa disse...

Sim, conseguiu inquietar-me... Mas uma inquietude boa...talvez como a dos bolbos...

Beijos

Rita Freitas disse...

Sim, saber que apesar de tudo os bolbos florescem aquieta-me o coração.
O que aqui leio pacifica-se.

Bjs

© Piedade Araújo Sol disse...

inquietação boa!

e um aroma de narciso.

beijos

boa semana!

:)

ana costa disse...

De maneira alguma me inquietas-te minha amiga despertas-te e aguças-te, isso sim o meu interesse por esta tão bela escrita....
parabéns, beijo

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Dar-se-iam bem no nosso planalto central...lá, as cigarras formam orquestras, nos jardins das mansões...
Beijo

Nilson Barcelli disse...

Eu bem me parecia que só andas aqui para nos inquietares...
Mas é da inquietude que pode nascer alguma coisa, ainda que sejam bolbos disto ou daquilo com as andorinhas por cima...
Um beijo, minha querida amiga.

Kika disse...

Kriu?

As cigarras não cantam, pois, sendo elas as fêmeas dos cigarros, apenas deitam menos fumo... como é natural...

Quem canta sou eu, de noite e de dia, não interessa, e só não canto agora pois não sou de grandes adulações, nem gosto de as dar e muito menos de as receber, pois, se assim fosse, abriria desde já um blogue que me fizesse sentir viva dentro de mim...

Kriu!

disse...

Paralelo, eu?

Eu cá não sou, Manuela de elo!

ki.ti disse...

És um bocadinho paralelo, Té

quando corres ao lado do teu dono.

Lunna Guedes disse...

As vezes quando te leio me surpreendo com todos os elementos que beliscam a minha paisagem. Fico observando lugares inteiros. Fico colorindo uma folha em branco com símbolos tantos que quando chego ao fim da última linha já não sei mais se real ou imaginário. rs

bacio