Regresso a casa. Não vás, fica. O meu saco pesa, de um
quase nada que contém, dois ou três rebentos de azevinho, uma pétala de rosa,
um bom pensamento, um desejo incumprido. Foi mau este ano. Pois foi. Poderá ser
sempre pior. Poderá. O inverno ainda mal chegou, a neve não cai, apenas aquela
pena à beira do caminho. De um pássaro. Sabe-se lá. Tens uma lanterna. Tenho.
Acende-a na montanha mais alta, porque nem sempre se consegue ver a lua. Somos
cegos. Muitas vezes. Somos surdos. Outras tantas. Porque me repetes. Para que
me ouças. Será melhor. O quê. Onde está o rapaz que chorava promessas na noite
fria. Nas esquinas. A vida é mortal. Pois é. Com um punhado de gravetos faz uma
fogueira, não tão forte, não tão quente e depois podes ir, com o teu pinheiro,
o saco e o casaco, as botas de feltro e a lanterna. Adeus.
Feliz Ano de 2016