Era uma vez um homem que possuía uma casa pintada de branco num
terreno húmido perto de um rio. A casa tinha duas portas, sete janelas, uma
chaminé e uma latada feita com canas da índia e enroscadas cresciam as trepadeiras
e um pé de vinha. Nas floreiras das janelas eram os trevos de três folhas, pois
se os de quatro dão sorte, não serão trevos, porque possuem uma folha a mais.
Junto do rio coaxava a rã e o homem amava a casa, o pé de
vinha, os trevos, as trepadeiras e os montes em volta e tanto era o
verde que a cada fim de dia os seus olhos castanhos esverdeavam também.
O homem tinha seis filhos e todos haviam partido, cansados
de verde, para outro lugar. No entanto as sete janelas permaneciam intactas. A primeira a contar da esquerda era a do seu quarto, onde ele dormia descansado porque nada temia e porque
temeria? se era um homem bom. As seis janelas seguintes, uma de cada filho, e
todas as semanas fazia-lhes as camas de lavado, enfeitava-lhes as jarras das
cómodas com flores amarelas que ele colhia do lado sul da casa pintada de branco.
Um dia qualquer voltariam e caso não voltassem, longe
onde estivessem sonhariam com a casa e o pai e o rio e a rã que coaxava e as
flores nas jarras.
Foi assim que plantou de estaca um lódão-bastardo e ele
cresceu. Fez-se grande a árvore, a copa arredondada e as raízes sólidas e
fortes espalharam-se e agarraram-no à terra.
No ano seguinte plantou o segundo e depois o terceiro, até perfazer seis
lódãos-bastardos, as copas redondas e fartas, o tronco firme e já não eram
bastardos porque ele os amava como à casa e aos filhos que voltariam ou não.
Semelhantes eram os lódãos, mas a tonalidade de cada um permanecia singular.
Celtis australis