O ramo pertence-lhe. E o espaço abandonado entre o muro
de pedra e o poço, e as ameixas amarelas por ora verdes e o alguidar antigo de
zinco onde cai a água da chuva e é limpa e fresca e chegam aos pares enquanto é
manhã e o gato dorme.
Não se fixa, não se prende. Num instante é mancha de fogo
e o sol arde-lhe nos olhos, no outro, é canto silabado a assobiar atrevimentos
para cativar insetos crocantes e minhocas viscosas. Gostaríamos de falar de
sementes, mas não.
Num súbito arrufo solta o ramo da laranjeira e artimanha
volteios a conquistar o ar, não fora tão belo e seria uma escrevedeira-rústica,
rara mas feia, avistada pela ria de Alvor ou pelos arrozais.
Os dias de estio são breves, quentes, luminosos, com
os olhos a brilhar. E ele estica as asas, depois dobra-as, esconde o bico, enrola-se, pia,
aninha-se talvez.
Que sabemos nós destes sinais.