É muito simples. As andorinhas virão depois. Sobre os
telhados ou já nem há telhados sobre as coberturas e destas prefiro as de natas
batidas com açúcar, um fruto silvestre a rematar. O imperador tinha um espelho
que refletia a maldade humana. A andorinha refletia o azul escuro do céu. É a
minha história futura.
As massas de ar frio dirigem-se para o equador, são
rápidas, fazem descer bruscamente a temperatura junto do solo. Paralelos somos
nós perpendiculares ao meridiano.
Nada disto tem a mínima importância para os bolbos.
Despontam no outono florescem na primavera. Umas vezes solitários, outras não.
Narciso não possuía um espelho, olhava-se na água dos rios e sabia-se belo. Dizem que se afogou, que era fútil, centrado em si. Gostamos de justificar tudo, de dissecar, de expor pormenores, alíneas, notas, adendas, parênteses, chavetas. Afogamo-nos.
Narciso não possuía um espelho, olhava-se na água dos rios e sabia-se belo. Dizem que se afogou, que era fútil, centrado em si. Gostamos de justificar tudo, de dissecar, de expor pormenores, alíneas, notas, adendas, parênteses, chavetas. Afogamo-nos.
Assim é meu desejo inquietar-vos com uma esperança de
primavera fria, de futilidade de natas, açúcar, vasos amarelos levezinhos como
cumulus humilis após a tempestade.
Se até eles florescem nem sempre solitários outras sim.