Uma linha de água separou-os. Nem deram por isso.
De pé na floresta húmida, parece pequeno, cinquenta
centímetros de músculos, ossos, cartilagens, coração, pulmões, sangue, cabelos,
olhos, boca. O solo rente, o odor primitivo do mundo.
A noite que lhe dá segurança, curiosidade, destreza,
também atrai o perigo. Um descuido e torna-se presa, caçado, privado de
liberdade, desfeita a vida. Isso, apenas
o saberá no momento exato da captura, não antes, não quando ainda não existia.
Talvez tenha medo do ruído das torrentes, da luz dos
relâmpagos, dos ramos emaranhados das árvores, da picada das cobras, da peçonha
das aranhas.
Talvez tenha saudades de andar às costas da mãe, de
mordiscar o pescoço dos irmãos, de rebolar na erva, único, perfeito.
Nos eclipses da lua interroga-se sobre a mancha que
cresce e ocupa a luz, nos do sol cala-se, porque lhe é familiar a natureza da
privação. O grupo que o protege é em número reduzido, reconhecem-se pelas
vocalizações que emitem, pelo território que ocupam. Escutam os sons da
floresta e o estalido das folhas e por fim mergulham nos grandes lagos,
superfície líquida, pura, que emerge do olhar.
Nós ficamos deste lado e do outro, timidamente
maravilhados macios dentro do peito.
É uma espécie vulnerável. Nós também.
Lomami desenho a pastel de mb
o verdadeiro Cercopithecus lomamiensis
é este aqui