Para trás ficavam as conchas e os ouriços-do-mar e a sua cauda longa e flexível mal lhes tocava numa carícia fugaz e na verticalidade insólita de um peixe, vibrava os seus inúmeros filamentos e arriscava-se em águas mais profundas e mais frias.
Os da sua espécie olhavam-no espantados, os olhos direitos revirados nas correntes ascendentes, os esquerdos nas descendentes e não diziam nada, porque a fala não estava na sua natureza e o espanto apenas cabe nas fábulas inventadas pelos homens. Eles ficavam, comendo vorazmente o que por eles passava, numa sedentariedade mítica e confortável.
E porque não cuidava de permanecer para se alimentar, era magro e ágil e marinhava pelos oceanos, sedento de plâncton e de medir a distância que vai da superfície ao fundo, apossando-se do limite do mar e das estranhas criaturas que o habitam.
Temia o peixe-martelo e o peixe-agulha, ria com o peixe-palhaço, transformava-se com o peixe-folha, escondia-se atrás do peixe-elefante, alcançava o céu com o peixe-anjo. Com o peixe-farol aprendeu a olhar a terra e do peixe-lua herdou o seu amor pelas estrelas-do-mar e pelas outras, mais brilhantes.
Se estava triste vestia-se de castanho, de verde se a indecisão o assaltava, de vermelho todos os outros dias.
E quando o rei-peixe dos peixes lhe contava, que na terra seca corriam cavalos pretos e com crina, quatro potentes patas e um coração quente e falava-lhe dos outros, os alados, que são dos sonhos para quem dorme e ele não, conhecendo apenas a vigília e o repouso e os olhos permanecem sempre abertos, ele sabia que se soltava e os outros não.
E porque não cuidava de permanecer para se alimentar, era magro e ágil e marinhava pelos oceanos, sedento de plâncton e de medir a distância que vai da superfície ao fundo, apossando-se do limite do mar e das estranhas criaturas que o habitam.
Temia o peixe-martelo e o peixe-agulha, ria com o peixe-palhaço, transformava-se com o peixe-folha, escondia-se atrás do peixe-elefante, alcançava o céu com o peixe-anjo. Com o peixe-farol aprendeu a olhar a terra e do peixe-lua herdou o seu amor pelas estrelas-do-mar e pelas outras, mais brilhantes.
Se estava triste vestia-se de castanho, de verde se a indecisão o assaltava, de vermelho todos os outros dias.
E quando o rei-peixe dos peixes lhe contava, que na terra seca corriam cavalos pretos e com crina, quatro potentes patas e um coração quente e falava-lhe dos outros, os alados, que são dos sonhos para quem dorme e ele não, conhecendo apenas a vigília e o repouso e os olhos permanecem sempre abertos, ele sabia que se soltava e os outros não.
"marinho" de mb