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entre risos abriam-se as janelas e as cortinas fugiam espantadas.
das portas ninguém sabia as chaves que fechavam
lá fora a relva crescia desencontrada das flores e a terra e o baloiço baloiçavam
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cheirava a lavanda e a chá de tília
as torradas inundadas de manteiga e os quadrados de marmelada escondiam-se medrosos em bolsos de ladrões de quase nada
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na chaminé cabia sempre um sonho ou no sótão onde o vento assobiava
assustando papões
homens feios
lobos
aves negras
dragões da sorte
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porque o medo ama a madrugada
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nem sei porque cresci
se deus quiser amanhã vamos ao zoológico e se deus não quiser porque não vamos?
não se desafia deus
e até fomos
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éramos tantos e a casa cantava
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para a minha mãe
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(o desenho aguarelado é meu)
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Manuela Baptista
2010/05/01